terça-feira, 18 de julho de 2017

[Resenha/Análise] A arte de ser feliz - Cecília Meireles

   OIOI, quanto tempo... não?! Como prometido (porém com um super atraso) hoje trago uma pequena análise do poema "A arte de ser feliz" de nossa querida Cecília Meireles. Não é a primeira vez que conversamos sobre Cecília aqui nesse blog, já batemos um papo sobre a incrível obra "O Romanceiro da Inconfidência" (clique aqui para ler a resenha). E não é a primeira vez que trago uma análise de um poema para vocês. Na primeira ocasião, estudamos o "Poema de sete faces" do Drummond (resenha aqui). Diferentemente da primeira análise, hoje trago apenas uma conversa, um papo sobre o poema de Cecília, nada muito concreto e criterioso como da primeira oportunidade. Então, vamos lá! 

                                                    ***

A arte de ser feliz

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles
                                                ***
   Como disse, não vou fazer uma análise embasada em teorias literárias nem nada do tipo. Vamos apenas bater um papo sobre questões importantes que são notadas nesse lindo poema. 
   Primeiro notamos a presença do efêmero que movimenta o poema, em vários momentos, Cecília nos apresenta passagens de tempos que nos permitem enxergar de maneira cinematográfica o que ela esta querendo dizer em seus versos, como um senhor que salvava, em um gesto delicado, um jardim quase seco próximo da janela do eu-lírico. Apenas esse gesto de generosidade fez com que o narrador se transbordasse em felicidade. 
   Numa tentativa de visualizar o mundo, outras situações são esboçadas, com simples ações como crianças indo para a escola, pardais pulando, borboletas voando , um galo cantando entre outros. Todos estão cumprindo seu destino, vivendo e cumprindo. 
   Uma problemática é apresentada: Essas felicidades certas estão diante da janela apenas do narrador? Então ele deixa subtendido que nós precisamos aprender a olhar e enxergar nos pequenos gestos, ações, o sentimento de felicidade, a vida que passa e deixamos ela fugir. 
   Precisamos parar de sermos guiados pela negatividade e começar a viver, enxergar o melhor das pessoas, de tudo. Quantas vezes simplesmente fechamos nossas janelas para impedir a felicidade do outro (quando não a nossa mesma). Precisamos abrir nossas janelas e deixar que a luz entre, e assim buscar nossa felicidade, nosso destino. 
   É isso então, leitores! Hoje foi só uma pequena reflexão sobre esse poema supimpa de Cecilia Meireles. Acho que é o meu favorito da vida! 
   E vocês, gostam de poemas? Comentem aqui, vou adorar saber seus poetas prediletos. <3


                                          ***
Deêm uma olhada nesse poema recitado no canal da Tatiana Feltrin <3 Sensacional!

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