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terça-feira, 31 de março de 2020

Resenha: O Gato malhado e a Andorinha Sinhá #lendojorgeamadoliterall

   Boa noite, amados! Como estão nessa terça-feira de quarentena e noite de eliminação no BBB? 
   Hoje vamos conversar um pouquinho sobre o incrível e delicioso livro de Jorge Amado "O Gato malhado e a Andorinha Sinhá". 
  Publicado em 1976, mas escrito em 1948, em Paris, temos um livro infantil, uma fábula genial que Jorge Amado escreveu para seu filho, João Jorge. 

   Nessa fábula, acompanhamos o temido gato malhado que, com seu temperamento e personalidade sem igual, instaura discórdia e medo em toda a comunidade com quem convive, até mesmo as árvores desgostam do felino. 
   Entretanto, uma a destemida Andorinha Sinhá não gosta de ver o gato todo solitário e sempre meio abatido. Com isso, sem medo algum, a andorinha decide se aproximar mais do bichano. 
   A partir daí, vemos o desenrolar de uma amizade proibida (pelos pais) para um amor também proibido. 
   Mesmo que o amor fosse mutuo, o gato e a Andorinha não podiam casar, pois a mesma já era prometida em casamento com o cantarolante Rouxinol. 
   Gente, vocês precisam ler esse livro! Ele é ácido, fofo, inteligente, divertido e fantástico. O modo da escrita do Jorge não muda dos seus romances adultos para sua obra infantil, contanto com diversos personagens ricos em personalidade e uma narrativa sem igual! Recomendo demais a leitura.
   Quem aí já leu essa belezinha? 

sábado, 14 de março de 2020

Resenhas: Tenda dos Milagres + Tereza Batista Cansada de Guerra #lendojorgeamadoliterall

   Boa noite, leitores! Como estão? 
   Nosso projeto está um pouco atrasado em relação às postagens das resenhas aqui no blog. Em razão disso, hoje conversaremos um pouco sobre os livros de janeiro e Fevereiro: Tenda dos Milagres e Tereza Batista cansada de guerra. 
   

* Tenda dos Milagres
   Esse interessante e dinâmico livro, publicado em 1969, marca um forte debate que Jorge aguça na literatura brasileira: o embate da cultura branca com a cultura afro.  

   Rico em detalhes, vamos acompanhar o estudioso e querido Pedro Arcanjo, um cientista social que acaba sofrendo por não ser branco e não estar enquadrado na cultura erudita. Temos aqui a questão central do livro. Mesmo que Pedro seja um cientista importante e sensacional, as incertezas movidas pela academia e pela mídia fazem com que esse personagem não desfrute de um grande reconhecimento. 
   Em contraste à elite racista, Pedro é a grande referência para a população das ladeiras de Salvador, povo esse que admira e valorizam a cultura da capoeira, danças afros, terreiros e festas populares. 
   Achei essa obra, apesar da temática pesada e polêmica, divertida, rica em cultura, opinião e, sobretudo, excepcionalmente narrado pelo nosso querido Amado. 


*Tereza Batista cansada de Guerra
   Lançado em 1972, esse é, certamente, uma das maiores obras de Jorge Amado, que nos apresenta uma personagem forte, marcante e especial.  

   Como uma espécie de biografia da mulher, acompanhamos a pesada e chocante vida de Tereza que, aos treze anos foi vendida pela própria tia para o capitão Justiniano. A obra, então, retratará o desenrolar dessa vida de Tereza que em sua vida suportou demais! 

   A grande questão do livro está enraizada na problemática de como nossa sociedade machista e patriarcal ao ponto de inferiorizar as mulheres e impor, de modo opressivo e violento, os desejos do homem. 
   Ainda assim, temos um livro com a pegada de Jorge que tanto amamos, que denuncia a desigualdade social e econômica da sociedade, marcada nesse livro no nordeste. 
   Tão logo, temos um livro pesadamente lindo, assim como tudo que não só Tereza, mas sim os retratos das mulheres que compõem a obra. 
   Em tempos sombrios, essa leitura é mais do que válida. 

***

E aí, quem leu esses livros? Comentem o que acharam <3 


     
  

domingo, 1 de março de 2020

Resenha: Insane ( K.C. Fraquini)

   Boa tarde, queridos leitores! Como estão? 
   Sei que estou devendo duas resenhas do nosso projeto dos livros do Jorge Amado, elas sairão no decorrer dessa semana. Porém, hoje gostaria de conversar um pouquinho das minhas considerações do lindo livro Insane, da escritora K.C. Fraquini. Bora lá?!
   Lançado pelo Grupo Editorial Hope em 2019, temos um belo romance dark. 
   O livro vai contar a história da misteriosa Anna, que acorda em uma cena de assassinato do seu próprio irmão. Desesperada e com o objetivo de uma fuga de si mesma, a garota decide mudar de vida, de cidade e esquecer de tudo. 
 O que ela não espera, mesmo mudando para uma cidadezinha do interior dos EUA é que os mesmo conflitos que ela convivia no passado a assombrarão e farão com que ela lide com seu demônio interior. 
  Carnívoro, amoroso, intenso, apaixonante, tenso e insano, o livro abordará alguns temas pesados com muita maestria. Rico em detalhes, conseguimos cinematograficamente assistir a perigosa vida de Anna, Peter e Gabe. 
   Amei demais! 
   Para quem tem um bom estômago, gosta de altas doses de tensão e, ao mesmo passo, adora um romance, esse livro é uma grande aposta! Recomendo. 

***
Comprem essa maravilha! 

E-book Amazon: https://amzn.to/3copRvO

   

sábado, 25 de janeiro de 2020

Resenha: O Rapto dos Dias (Kenny Teschiedel )

   Boa tarde, queridos leitores! Como estão? 
   Hoje vamos conversar um pouquinho sobre esse livro sensacional de Kenny Teschiedel, O Rapto dos Dias. 
   Lançado em 2019, pelo Grupo Editorial Hope, o livro do gaúcho Kenny tem emocionado os leitores e proporcionado altas doses de drama e reviravoltas.


   É sobre olhar a situação do outro, entender, compreender e tentar, mesmo que esteja distante, se colocar no mesmo lugar. 
  O Rapto dos Dias, romance de Kenny, tem várias dessas nuances. A cada capítulo, somos testados a desconstruir nossos conceitos sobre o que de fato acontecia com Rosana, Francisco e Catarina -não esquecendo das tramas secundarias-. 
   Com uma escrita criativa, estudada, polifônica, detalhista e cinematográfica, Kenny cria uma atmosfera densa e pesada para sua obra. É impossível o leitor não mergulhar no livro e não cair nos dilemas vividos por essa família problemática. 
   Narrado por diversas personagens, o livro conta a história dos irmãos, Francisco e Catarina e sua mãe Rosana, que se vê presa, obrigando seus filhos a irem parar num orfanato. 
 O entendimento de uma sociedade machista, racista, desigual e preconceituosa assola toda a obra, uma vez que essas personagens sofrem com essas mazelas de nossa sociedade contraditória que inspira o ódio. 
  O livro é incrivelmente necessário. Com essa experiência, o leitor é capaz de sentir, mesmo que de fora, um pouco da grande realidade brasileira marginalizada e que sofre todos os dias. 

  Em vários momentos da leitura tive vontade de poder fazer alguma coisa, de gritar, de ajudar, de me mover. É sufocante. Recomendo demais a leitura! 
5/5

Compre o livro, tenho certeza que a experiência será única!
Onde comprar: 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Resenha: Dona Flor e seus dois maridos #lendojorgeamadoliterall

Boa noite, queridos leitores! Como estão? Hoje vamos conversar um pouquinho sobre esse maravilhoso livro de Jorge Amado, Dona Flor e seus dois maridos. 

Lançado em 1966, essa grande obra, tanto literária, quanto em número de páginas, narra a vida de Florípedes e, obviamente seus dois maridos, Vadinho e Teodoro.
O livro começa com a morte de Vadinho, o primeiro esposo de Flor e, se posso dizer, sua grande e verdadeira paixão. Numa festa de Carnaval, o terrível Vadinho cai morto na rua, e deixa toda a sociedade de Salvador sensibilizada, uma vez que esse personagem era amado por todos. O primeiro esposo de Flor não a merecia, enquanto ela era uma mulher dedicada, linda, comprometida e apaixonante, ele era um bêbado viciado em jogo e a traía com a cidade toda. 
Apesar dos pesares, Flor o amava incondicionalmente, mesmo sofrendo de ciúmes e de todas as tramoias que Vadinho aprontava, ela era apaixonada e isso fez com que nós, leitores, também gostássemos dele. 
Após a morte de Vadinho, e o profundo luto de Dona Flor, temos então o novo relacionamento da cozinheira, o farmacêutico Teodoro. 
Teodoro era um homem mais velho e regido de bons costumes e uma intelectualidade invejável. O casamento dos dois era do sonhos, Flor era tratada como toda mulher gostaria de ser tratada, com carinho, respeito e liberdade. Entretanto, apesar de toda a felicidade, Dona Flor não se sentia completa, até, certo dia, desejar seu ex marido morto. 
Acontece que o espírito de Vadinho retorna e a atazana em todos os momentos. Tão logo, Dona Flor se vê entre os dois maridos. 
É um livro delicioso, divertido e conta com muitos elementos que prendem a atenção do leitor, seja com a narrativa cinematográfica, quanto com as reviravoltas e toda a construção da obra, referenciando a cultua e religiosidade afro, e a identidade de um Brasil multifacetado. 
O que acharam desse livro? Eu amei demais! 

domingo, 1 de dezembro de 2019

Resenha: Os pastores da noite (+ o Compadre de Ogum). #lendojorgeamadoliterall

Boa noite, amados! Como estão? Hoje vamos conversar um pouquinho sobre Os pastores da noite (e O compadre de Ogum).
Dividido em três histórias, o livro se baseia no casamento de Martim e Marialva, que causa transtorno em toda a Bahia. 

Os amigos boêmios Negro Massu, o Cabo Martim, o Pé-de-Vento, o Jesuíno Galo Doido, o Cravo na Lapela e Curió nos acompanham nessa aventura, de uma vida dinâmica e desprovida de grandes preocupações sociais. Com eles, aprendemos um pouco mais do significado de amizade e fidelidade.
Na primeira história temos, justamente, a história dos dois, Cabo Martim e da Marialva, esta que pela sua beleza e sensualidade desperta interesse de outros homens, como o caso do Curió que se apaixona pela mulher, mesmo ela sendo a companheira de seu melhor amigo. 
Na segunda história, essa a parte de "O Compadre de Ogum", encontramos uma linda passagem e mistura de religiões, o sincretismo religioso do catolicismo com o candomblé. Nessa história, entramos em contato com um lado de Jorge na qual ele respeitava demais e, se posso dizer, seguia, de certa forma, alguns ritos. Nessa narrativa, acompanhamos a história o batizado de Felício, um garotinho lindo de olhos azuis filho da Benedita com o negro Massu.
Por fim, o terceiro momento é sobre a invasão do morro do Mata Gato. Trata-se de uma desapropriação de toda a vida ali presente. Ao fundo, podemos enxergar uma força do capital agindo sobre tudo e sobre todos. É o lado mais político de Jorge agindo no livro todo. 
Como eu disse, o livro é bem dinâmico e divertido, apesar do desfecho se desenrolar sobre aquelas questões políticas todas. Tudo o que eu mais queria era poder ter mais tempo para poder ter lido ele melhor, como estou no final do semestre, tudo está na maior correria por aqui, infelizmente. Tão logo, não o aproveitei 100%. Porém, eu indico demais a leitura a todos! Minha querida amiga Regina me indicou o filme para assistir, mas até o momento, não consegui assistir =(
E vocês, o que acharam? 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Resenha: Os Velhos Marinheiros ou o Capitão-de-Longo-Curso #lendojorgeamadoliterall

  Bom dia, queridos leitores? Como estão? Hoje vamos conversar um pouquinho sobre mais uma obra do nosso querido Amado, "Os Velhos Marinheiros ou Capitão de Longo Curso".

  Publicado em 1961, o livro compreende duas novelas Os velhos marinheiros ou O capitão de longo curso e A morte e a morte de Quincas Berro D'água, romance esse que já resenhamos por aqui. (Clique aqui para conferir a resenha)
  O singelo vilarejo de Periperi, na Bahia, recebe um marinheiro um tanto peculiar que meche com todos os habitantes. O comandante Vasco Moscoso de Aragão, capitão-de-longo-curso, já velho e experiente, decide se aposentar dos mares e viver tranquilo em terras firmes. 
  Com uma simpatia invejável, esse capitão logo desperta respeito de toda a população, que se encanta com cada história triunfosa do capitão. 
  Tornando-se popular na comunidade, o comandante é alvo de inveja e críticas de um grupo de pessoas que não acreditam em todas as histórias de aventura do capitão. 
  Guiados por Chico Pacheco, uma figura  que perdeu seu prestígio na cidade, alguns moradores travam certas intrigas para poder desmerecer, ou invalidar, contradizer as aventuras de Aragão, buscando informações sobre a verdadeira vida de Vasco Moscoso. É claro que, ao perder sua visibilidade pelo novo morador, Chico Pacheco faz de tudo para descobrir a verdade. 
  O livro fica nesse impasse de verdade x ficção. 
  Confesso que não foi um livro que me agradou, apesar de ser divertido, o achei maçante. Porém, identifiquei um certo refinamento da escrita de Jorge nesse livro, com um narrador inteligente e meio obscuro. 
 Quem aí leu esse livro? O que acharam? Deixe nos comentários suas impressões.

domingo, 25 de agosto de 2019

Resenha: A Morte e a morte de Quincas Berro D'água - Jorge Amado #Lendojorgeamadoliterall

 Boa tarde, queridos leitores! Como estão?
 Hoje vamos conversar um pouquinho sobre a gostosa leitura de "A morte e a morte de Quincas Berro D'água".

 Lançada as pressas em 1961, a pedido de um amigo, acompanhamos uma novela divertida na qual a morte de  Joaquim (Quincas) leva um tom irônico ao livro. 
 Sem deixar suas convicções e crítica em sua escrita, a grande sacada de Jorge Amado nesse livro está no contraste social entre as classes sociais.
 No livro, acompanhamos a aventura dos amigos de Quincas berro d'água que "sequestram" o defunto para uma noite divertida. 
 A família do morto, que já havia marginalizado a figura do homem, pois Joaquim estava cansado de seguir uma vida enfadonha cheia de moldes sociais, convive com o luto da figura. Mesmo que, no fundo, estão aliviados com a morte, encontramos uma grande preocupação da família, sobretudo de Vanda e Leonardo, para realizar um velório digno de uma família de alta classe.
 Para a Família, Quincas já estava morto, como disse, o abandono da figura do pai por Vanda se deu quando o mesmo abandonou os bons costumes idealizados pela alta sociedade e caiu na gandaia, vivendo de bebedeira, amores imorais e marginalidade. 
 Nesse contraponto de tensões de classes, Jorge Amado cria a aventura do furto do defunto que vai "viver" sua última noite na vida que ele tanto gostava. 
 Recomendo demais esse pequeno livro que, muito bem escrito, é acompanhado de boas doses de humor, diversão e confusão!
 E aí, quem leu essa novela?

terça-feira, 30 de julho de 2019

Resenha: Gabriela Cravo e Canela

   Eu estava precisando de um livro mais tranquilo ou com uma temática mais suave, sobretudo depois dos subterrâneos da Liberdade. Como eu havia comentado em resenhas anteriores, certas leituras densas não estavam sendo demais para mim. Não fluía e eu não aproveitava.
   Gabriela, de certa forma, ajudou numa melhor dinâmica nos livros, mas já adianto que eu depositei uma grande expectativa na obra, na qual não atingiu o que eu esperava, infelizmente.
   Certamente é um dos livros mais conhecidos e traduzidos de Jorge Amado em todos os tempos. 
Depois de um desvio de eixo espacial, voltamos a nos encontrar na Bahia e, em especial, Ilhéus, no auge dos anos vinte, com uma modernidade e desenvolvimento do urbano dessa cidade baiana. 
   Nesse livro acompanhamos a história de amor entre o árabe Nacib, um homem importante que busca por ascensão social, e Gabriela, uma retirante do sertão nordestino que anseia uma vida melhor na fervorosa Ilhéus.

  Nacib, que era dono de um bar, perde sua cozinheira Filomena, logo o árabe se vê perdido pois está prestes a dar uma importante festa. Assim, passamos uma boa parte do livro (que confesso que achei chatíssima a primeira parte), entre a ambientação, apresentação dos personagens e a busca de Nacib por uma cozinheira nova.
   Nessa busca por uma cozinheira, Nacib encontra Gabriela. Uma mulher bem resolvida, bonita, humilde, divertida e sensual, que conquista com simpatia todos a sua volta.
  O que mais me interessou na obra foi o contraste e a apresentação da moral, costumes, modernidade, luxuria e pobreza.
   Não darei spoilers, mas posso adiantar que o romance entre Nacib e Gabriela será envolvido de muita paixão, e regrado de velhos costumes nos quais Gabriela lutava ferozmente.
   Na busca pela liberdade, a protagonista enfrentará o preconceito, tabus, machismo e opressão.
   Acho importante dizer, por fim, um exemplo que me marcou na leitura do livro, a morte logo no começo do livro dos amantes Sinhazinha, esposa do coronel Jesuíno, entre o dentista da cidade Dr. Osmundo. Ao pegar o casal no flagra, o coronel não pensou duas vezes em assassinar os dois com sua espingarda para, assim, reconquistar sua "moral vítima da traição". O mais bizarro disso tudo é que esse ato era aceitável, ou melhor, a única saída para os atos de adultério. Realmente Bizarro. 
   

   Antes de me despedir, gostaria de dizer que Gabriela é uma das personagens mais marcantes de nossa literatura brasileira. Senti algo parecido quando lia Iracema, de José de Alencar, as duas personagens são um reflexo do povo brasileiro, ungido de personalidade, simpatia, amor, e guerra interna com seu eu próprio e as questões sociais à sua volta.
   Convido vocês a conhecerem essa história gostosa, sensual, chocante e  muito bem construída pelo nosso amado Jorge.


quarta-feira, 12 de junho de 2019

Resenha: Os Subterrâneos da Liberdade #lendojorgeamadoliterall

   Boa tarde, queridos leitores! Como estão? Depois de um período sem aparecer por aqui, hoje apresento a resenha de três ótimos livros. Os Subterrâneos da Liberdade, trilogia de Jorge Amado que fora dividido em três volumes: Os Ásperos Tempos; Agonia da Noite e A Luz no Túnel. Esses publicados em 1954 traça uma marcante crítica à ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. Logo, esses livros ficaram famosos e reconhecidos como panfletários de Jorge. 
   Como são três livros, abordarei alguns aspectos de cada livro nessa resenha de hoje.

  1. Os Ásperos Tempos
   Nesse livro, recapitulamos o golpe de estado promovido pelo ex presidente Getúlio Vargas, que instaura seu período ditatorial do Estado Novo. Nesse livro temos, sobretudo, a visão antagônica do protagonismo, dando fala desde as classes operárias, militantes e os pobres, até os grandes fazendeiros e a alta burguesia em geral.

   Buscando alianças para afirmar seu governo e a própria ditadura, Vargas estabelece alianças com personagens das forças armadas e classes conservadoras. Além disso, para poder se firmar, Vargas propõe e cria seu inimigo, o Comunismo e seus defensores. 

  O interessante da obra, além do excelente retrato social e político retratado, se baseiam nos personagens, isso em todos os livros, nas quais são os personagens reais da nossa história, Como Vargas, Armando Sales de Oliveira, Luís Carlos Prestes, Plínio Salgado entre outros.
  O retrato da influência paulistana é muito bem apresentado no livro, como o Banqueiro Costa Vale, que consegue manipular e exercer sua influência como deseja. 
Entre muitas discussões, ideais a serem seguidos e a questão política intrinsecamente presente, somos bombardeados de informações, que confesso serem um pouco maçantes nesse primeiro livro. Temos uma diversidade de personagens, todos muito importantes para a narrativa. Deste, ressalto o romance entre a militante Mariana e seu companheiro João. Nessa história de amor, acompanhamos os sofrimentos das distâncias promovidas por eles mesmos e suas ideologias. O tocante é que, mesmo as barreiras sendo impostas, o amor vive e prevalesse, seguindo a lealdade às suas ideologias e no que acreditam. 

2. Agonia da Noite
   Nesse segundo volume da trilogia, somos apresentados ao Estado Novo e as primeiras medidas do governo de Vargas, além do contexto exterior que vivia a Segunda Guerra Mundial e a resistência pelo Partido Comunista no Brasil.
Sem dúvida, esse é o livro mais pesado da trilogia. Como o próprio título nos diz, ele é agonizante.
Temos grandes cenas passadas no porto de Santos, como a grande greve dos estivadores que se recusaram a carregar um navio alemão (nazista) com café que era direcionado à Espanha. O importante de se notar nesse fato é o mimo que Vargas queria dar ao ditador Franco na Espanha. Como sempre, tecendo laços com tendências imperialistas para fortalecer seu governo.
Mesmo num cenário de catástrofe, ainda temos enredos de amor nesse livro, como a sequência do romance de Mariana e João, e o caso de amor burguês entre Manuela e Paulo. Este amor vivido entre os burgueses é amarrado com convenções sociais impostas pela sociedade da época e um frio jogo de interesses, de ambas as partes.
Nesse âmbito de cálculos frios de para crescer na vida, acompanhamos as tramoias de Puccini e Eusébio de lima, que fizeram de tudo e mais um pouco para enriquecerem. Nesse livro, por fim, vemos uma queda e certa dissolução por alguns companheiros do partido.
Uma parte tocante, e pesada, desse volume está na dramática morte de Inácia e seu filho.
Logo, é uma obra, sobretudo, de muito planejamento e artimanhas políticas e suas consequências.

3. A Luz no túnel
O medo assoa a população nesse livro, que convive com torturas e mortes violentas. As faces do governo ditatorial são marcadas nessa obra, através de muita violência, artimanhas e crises.
Eu, que estava cansado dos livros anteriores que eram pesados, nesse conheci o lado mais violento da trilogia (que não deixa de ser pesado também).
O livro trás a tona a importância da apropriação da terra pelo latifundiário Venâncio, exercendo sua dominação e influência econômica sob capital estrangeiro. Nesse ponto, temos a busca pelos imigrantes para trabalhar em suas terras, uma vez que os caboclos não eram vistos com bons olhos (temos aqui uma crítica alta ao preconceito).
Não foge desse livro as greves e resistências, como a história de Gonçalo, que é dado como morto e tem um importante papel na reunião e restauração do Partido Comunista que se encontrava quebrado.
Como era de se esperar, temos desfechos dos personagens anteriormente apresentados nos livros anteriores, Como Mariana ajudando Vítor a reorganizar e fortalecer o partido; Maria e joão, com um filho; o casamento de Carlos e Manuela e o projeto de Manuela em fundar um balé nacional.

Com uma crise instaurada no Brasil e o Partido reconstruído, a ideologia do comunismo e a ideia passada para a população de que a URSS era uma luz no fim do túnel, seja para a crise interna, quanto externa (no caso a Guerra), era a melhor saída. Logo, a grande "lição" que o livro alude é essa, de que o comunismo e a esquerda, em geral, possuía os melhores caminhos para trazer, de volta, a dignidade à sociedade brasileira. Num último ato do livro, temos o julgamento de nosso companheiro conhecido (e recordativamente utilizado por Jorge Amado em seus livros) Luís Carlos Prestes, na qual ele faz uma menção honrosa à Revolução Russa.

É isso, galera! Confesso que foi bom ter lido esses livros, mas não muito prazeroso. Achei a escrita um pouco carregada e pesada. Havia histórias que se entrelaçavam e faziam todo o sentido, mas isso me deixou um pouco cansado. 
Como eu havia dito no nosso grupo de leitura, eu não estava me sentindo muito bem para ler livros com essa temática no momento. Mesmo assim, foi uma grande experiência e recomendo a todos!
O interessante da obra Os Subterrâneos da Liberdade é que, desta vez, saímos do eixo mais centralizado na Bahia, na qual Jorge retrata seus livros. Viajamos para São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e até Espanha! 
E vocês, o que acharam?

Ps.: leiam esse artigo super interessante sobre a dialética da liberdade presente na obra! 
Bibliografia auxiliar: 
GIMENEZ, Izabel Cristina Souza. A DIALÉTICA DA LIBERDADE: UMA LEITURA DE OS SUBTERRÂNEOS DA LIBERDADE, DE JORGE AMADO. Trama, [S.l.], v. 2, n. 3, p. p. 87-103, ago. 2007. ISSN 1981-4674. Disponível em: <http://e-revista.unioeste.br/index.php/trama/article/view/276/203>. Acesso em: 12 jun. 2019.


domingo, 31 de março de 2019

Resenha: O Amor do Soldado - Jorge Amado #lendojorgeamadoliterall

   Boa tarde, leitores! Como estão? Hoje trago mais uma resenha do nosso querido projeto! 
   Desta vez, fugimos do romance e provamos um pouco da exímia qualidade de Jorge Amado na dramaturgia, com sua única peça teatral escrita "O amor do soldado". 

   Publicado em 1944, o livro conta com personagens já utilizados pela literatura do escritor baiano anteriormente. Como um dos protagonistas, temos o poeta militante Castro Alves. 
   Com uma premissa simples e sem muitas dinâmicas que envolvem na construção do enredo, acompanhamos o grande impasse de Castro Alves e seu grande amor Eugênia Câmara. A grande questão da obra está inserida na problemática do amor e suas barreiras.
   Castro Alves divide seus amores entre sua companheira Eugênia, e sua militância política, sendo um revolucionário a favor da abolição da escravatura e a implantação e transformação de um Brasil República.
Eugênia, atriz e uma mulher dedicada, se vê numa situação na qual ela não tem toda a atenção que desejaria de seu companheiro. Como ela poderia implorar por exclusividade de um homem na qual sua maior ambição é a liberdade?
   Com doses dramáticas, Eugênia se vê num grande impasse: Seguir seu sonho e sua carreira de atriz com sua companhia de teatro, ou aceitar não ser primeira opção de seu grande amor. 
   Em síntese, encontramos essa dinâmica nesta bela obra de Jorge Amado. Confesso que esse livro poderia se encaixar perfeitamente, caso não fosse uma peça teatral, num romance romântico do século XIX brasileiro. Eu amei demais esse livro, recomendo para todos!
   Além de ser uma leitura leve e apaixonante, podemos refletir o contexto histórico brasileiro vivido por Castro Alves e todas as suas implicações naquela sociedade, deixadas de heranças para nós. 
   Vocês já leram esse livro? O que acharam? 
   

domingo, 10 de março de 2019

Resenha Seara vermelha -- Jorge Amado #lendojorgeamadoliterall

   Boa noite, leitores! Como estão? 
   Hoje falaremos um pouco sobre esse livro incrível que é Seara Vermelha. 
   A princípio, eu enxergo a obra como um mix de influências de outros escritores brasileiros, como Euclides da Cunha, Graciliano Ramos e Ranchel de  Queirós. 

   Na obra, acompanhamos a lutra de retirantes nordestinos em busca de uma melhor condição de vida, partindo do Sertão nordestino para  São Paulo. 
   Todo o trajeto desses  retirantes é narrado de forma tocante, cheia de tensões e muito sofrimento. 
   Mais uma vez somos apresentados a uma terra sangrenta, um fanatismo religioso (bem explorado nesse livro), e o embate ideológico exposto na obra, sobretudo quando Jorge articula seus ideais em argumentos contra os latifundiários. 

   A morte, que acompanha toda a viagem desses nordestinos, é uma das personagens principais, levando consigo até os os animais de estimação, sendo a cena da gata Marisca, a mais tocante para mim. 
   Na obra, temos diferentes desfechos para os personagens, alguns encontram a militância, outros a religião, alguns trabalho e os demais a morte.
   Como de costume, haja vista as resenhas anteriores, não tenho dado detalhes de cada obra, sendo esses detalhes explorados nas discussões no grupo do projeto. Logo, venham participar conosco! 
  Recomendo demais esse livro, mesmo ele sendo bem pesado, proporcionando agonia e desespero, é uma obra memorável do querido baiano. 
   O que vocês acharam desse livro? 


terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Resenha "Diva" - José de Alencar

   Bom dia, leitores! Como estão? Hoje trago uma breve resenha, de um dos meus escritores favoritos, Diva de José de Alencar.

   Esse livro parece-me um primeiro teste de Alencar na construção de uma personagem forte como a Aurélia, de Senhora. Nesse livro, Emília, a Diva, é construída de maneira bem próxima com Aurélia, uma mulher forte e com personalidades marcantes e peculiares. 
   Temos então, a estória de amor entre Augusto, um médico recém formado, e Emília, sendo esse primeiro encontro um momento especial, na qual Augusto tem sua principal missão curar a jovem enferma Emília. Na ocasião, a personagem principal era feia e nada chamativa. 
   Com muita hostilidade, desde o primeiro encontro, Emília tratava o jovem médico. Os dois vivem numa grande instabilidade, com trocas de humilhações (sobretudo por Emília), desprezo, amor e amizade. Mesmo assim, Augusto mantem a chama de sua paixão por Emília, se declarando e recebendo um grande gelo.
   Típico de um romance romântico, vamos acompanhar esse jogo do amor entre os dois, sendo o principal obstáculo, a barreira e conflito, a aceitação desse sentimento.
   Mesmo Emília pisando em Augusto o livro todo, impondo-se como uma mulher livre e, de certo modo, independente, nas últimas linhas do livro temos ela renegando o amor, colocando-se a disposição de Augusto, perdendo, então, seu espaço para o machismo. 

                               *ALERTA SPOILER*
"– Mas reflita, Emília. A que nos levará esse amor?
– Não sei!... respondeu-me com indefinível candura. – O que sei é que te amo!... Tu não és só o árbitro supremo de minha alma, és o motor de minha vida, meu pensamento e minha vontade. És tu que deves pensar e querer por mim... Eu?... Eu te pertenço; sou uma coisa tua. Podes conservá-la ou destruí-la; podes fazer dela tua mulher ou tua escrava!... É o teu direito e o meu destino. Só o que tu não podes em mim, é fazer que eu não te ame!..." - (ALENCAR, 1864, p.144)

   O livro, que trabalha como uma narração de história entre amigos (Paulo e Augusto), termina com Augusto escrevendo ao amigo o desfecho dessa história de amor. 
"Enfim, Paulo, eu ainda a amava!...
Ela é minha mulher." (ALENCAR, 1864, p.144)


                                                      ***

Comprem esse livro (ou qualquer outro usando meu link) e vocês estarão ajudando muito na manutenção do meu trabalho! <3 
Diva: Compre AQUI

Quem já leu esse livro? O que acharam? 

domingo, 6 de janeiro de 2019

Resenha: São Jorge dos Ilhéus - Jorge Amado

Bom dia, galera! Primeiramente, desejo a todos um feliz 2019, que esse ano seja próspero e com ótimas leituras! 
Hoje vamos conversar um pouco sobre o último livro do projeto #lendojorgeamadoliteral do ano! São Jorge dos Ilhéus. 
São Jorge dos Ilhéus é uma espécie de continuação de Terras do sem-fim (livro já resenhado, clique aqui para ver), no primeiro livro temos uma sociedade mais "primitiva", que batalhava com sangue suas conquistas pela terra, Já em São Jorge, temos uma consolidação da conquista pela terra.

O cacau era uma grande fonte de riqueza para a economia local e nacional, logo, um cacau era visto como ouro, proporcionando o surgimento de cidades e vilas graças a esse cultivo provindo de extensas lutas pela terra.
Como uma literatura de cunho social, Jorge irá nos apresentar o lado dos trabalhadores, ainda sendo tratados e contratados em regimes de semi-servidão, com passagens dos fazendeiros e coronéis aludindo ao racismo e a escravidão. 
O luxo provindo da alta do cacau permite uma nova forma de convivência em comunidade. 
Essa sociedade em Ilhéus fora modificada completamente, o que antes era um ambiente completamente rural, abriu espaço para a importância urbana, com a presença de exportadores, comerciantes e políticos e imigrantes de todo o mundo.

Mas como nem tudo são prazeres, a baixa vem, trazendo com sigo uma desgraceira só. De milionários foram para marginalizados, mendigos. Não tem mais trabalho e a cidade decaíra num fundo sem fim. As mulheres, viram na prostituição, alguma forma de sustento.
Com essa crise econômica e política assombrando a região, o foco mudara novamente, caindo na terra como no livro anterior. Voltamos a ter morte, caxixes e traições (não é mesmo Horácio?).
Mas nem só de luta, altas e crises estão presentes no livro, também temos histórias de amor: triângulos amorosos, decadências (como os argentinos Pepe e Lola) e outros.
Enfim, temos nesse livro uma certa modernidade provocada pela alta do cacau, que permitiu o avanço de certas tecnologias, indústrias, meios de comunicação e transporte, mas como nem tudo são flores, Jorge Amado nos mostra que essa economia imperialista que o Brasil vivia, com fortes influencia dos Estados Unidos, estava sendo movida ao fracasso.

Recomendo demais a leitura! 
Venham Participar do projeto conosco em 2019! Vejam nosso cronograma desse ano:


domingo, 16 de dezembro de 2018

Resenha: Terras do sem-fim #lendojorgeamadoliterall

   Boa tarde, galera! Como estão? Hoje vamos conversar um pouquinho sobre o, talvez, meu livro predileto de Jorge Amado o Terras do sem-fim.
   Com muitos personages e uma narração extremamente dinâmica, acompanhamos mais um livro que um dos personagens principais é o cacau baiano. 
   No livro temos dois principais focos que vão promover diversos conflitos na trama, a família dos Badarós e a do coronel Horácio. Essas famílias, que são ricas e grandes propriedades de terras cacaueiras lutam, literalmente, por um resquício de uma mata nativa, a Cerqueiro Grande, para expandir suas terras com as plantações de cacau. 

   Como das últimas resenhas, não contarei os acontecimentos lineares, para não estragar a leitura de vocês, caso você tenha interesse de saber mais, além de ler o livro, entre em contato e participe do nosso grupo de leitura cronológica dos livros do Jorge!
   Voltando... atrelado a essa disputa pela terra, encontramos uma sociedade problemática que encara certas críticas promovidas por Jorge Amado. 
   Temos a questão migratória dos nordestinos mais pobres que buscam alguma melhoria de vida indo trabalhar nesses campos de fazendeiros ricos, encarando regimes de completa servidão; temos a situação da mulher que é construída como um mero objeto para os homens; temos o processo de ocupação desigual e conflituoso na terra; a política movida pela corrupção e interesses de oligarquias; a igreja como instituição sendo criticada e movida por interesses políticos; a prostituição e, por fim, a banalização da morte. 
   Como estudante de geografia, consegui identificar diversos aspectos na leitura que fazem todo o sentido com meus estudos, como a questão agrária, movida por conflitos no campo, e a regionalização do espaço brasileiro, sendo ele desigual, contraditória e conflituosa. Já fiquei com uma vontade tremenda de usar esse livro no meu trabalho de conclusão de curso, inclusive vou conversar com minha orientadora o quanto antes! <3
   Mas não é só de conflito que se constrói a trama do livro, por exemplo, meus personagens favoritos, Virgílio e Ester vivem uma história de amor proibido e perigosa, com um final trágico, Jorge Amado esboça as convencionalidades daquela sociedade que tinha como pano de fundo as décadas de 1910/20, onde a distribuição de terras no Brasil eram dadas a quem quisesse plantar. 
   Super recomendo esse livro, que embora seja de 1943, é atemporal, mostrando o contexto de um Brasil que cultiva a cultura do ódio. 
   É isso, então, galera! Quem ai leu essa preciosidade? O que acharam? Venham discutir conosco no projeto!! 




sábado, 11 de agosto de 2018

Resenha "Capitães da Areia" de Jorge Amado #lendojorgeamadoliterall

  Boa noite, pessoal! Hoje vamos conversar sobre uma das maiores obras de Jorge Amado, o romance social "Capitães da Areia".
  Com uma idealização dos garotos que moravam nas ruas, ou melhor, no trapiche, são os poetas daquela Bahia, além de serem os protagonistas dessa narração do sexto livro publicado por Jorge. 



  A oralidade marcante nesse livro, fazem com que essa obra seja uma grande referência do modernismo brasileiro. 
  A marginalidade social presente na obra de certa forma ganha uma consciência política, transformando seus personagens em agentes representantes políticos, o socialismo no caso. 
  Capitães da Areia também conta com uma propaganda política do socialismo, sendo então, queimado pelo Estado Novo de Vargas em praça pública.
  Dividido em onze capítulos, encontramos uma série de desventuras desses garotos marginalizados nas ruas de Salvador, o que nos faz conhecer diversos personagens marcantes (e peculiares). 
  Temos uma ideologia do sincretismo religioso na obra, como uma forma de militância política na literatura de Jorge, com a presença de deuses, candomblé e outras referências religiosas. 
  A história começa com uma descrição do trapiche, onde mais de 100 garotos vivem nessa habitação. Logo de começo somos apresentados a Pedro Bala, o "líder" desse grupo de garotos. 
  Todos os órgãos possíveis daquela sociedade contribuem para a marginalização dos meninos, seja a mídia (como  vemos nas reportagens presentes do livro), Órgãos políticos e outros. Os únicos auxílios com que os meninos podem contar são do padre José Pedro, um padre diferente do padrão do clero, pois exercia um exímio contribuição social com os meninos (e por isso o chamavam de comunista), e a dona aninha, mãe de santo. 
  Vamos conhecer alguns personagens: Pedro Bala, embora tenha muitas ações bandidas, notamos alguns sensos de justiça em seus pensamentos, atos; O Professor, é o garoto intelectual do grupo, ele era um dos únicos que sabiam ler e, por isso conta história para os garotos. João Grande é o esteriótipo do garoto burro mas de coração bom. Sem pernas, um dos meus personagens favoritos, é um personagem coxo e sua função no grupo era se dar de coitado e conseguir ser adotado por famílias ricas, uma vez conseguindo, Sem-pernas mapeava a casa e passava as informações para os capitães para furtarem aquela casa; O Gato, um menino de 13 anos que era apaixonado por uma prostituta, um estereótipo de malandro. 
  Mais pra frente da história, conhecemos Dora, a única menina do grupo que sofre por ser órfã e diferente, uma vez que era mulher. 
  Com cenas de estupro, miséria, roubo, injustiças, amor, amizade, lealdade e muitas tretas, acompanhamos as aventuras desse pessoal.
Não darei spoiler aqui, apenas na debate do nosso grupo do "Whats" do projeto da leitura (Quer participar, entre em contato comigo!), mas deixarei a cena que mais gosto. 
Em um dado momento, Sem pernas consegue ser "adotado" por mais uma família e, nesta ocasião, a família que o acolheu o tratou com tanto amor, carinho e maternidade que Sem pernas entrou em um tremendo conflito: não queria trair a família para que os capitães furtassem a casa de seus novos "pais", porém, com muita dor no coração, Sem Pernas decide ser leal ao grupo. 
  Depois de uma morte (muito triste) de um personagem, o grupo meio que sofre o baque, levando cada um dos garotos seguirem seus trilhos.
  Enfim galera, hoje resolvi trazer apenas algumas considerações sobre esse livro supimpa! SEM DÚVIDAS é meu livro predileto do autor, e um dos favoritos da literatura brasileira! 
E você, o que achou dessa leitura? Vou adorar saber. 





segunda-feira, 9 de julho de 2018

Resenha "Jubiabá" #lendojorgeamadoliterall

Boa tarde, pessoal! Como estão ? 

Vamos falar um pouco sobre Jubiabá? 
Nesse quarto livro publicado por Jorge Amado, em 1934, encontramos um romance de formação e ainda uma espécie de teste para o escritor baiano. 

Embora o título seja "Jubiabá" que é um dos personagem do livro, vamos acompanhar o desenvolvimento e as tramas da vida de Antônio Balduíno, um negro carismático que em cada fase da sua vida, se encontrará em algumas aventuras divertidas. 
Sem a presença dos pais, o garoto é criado pela tia que, já velha, endoidece e acaba falecendo, nem a ajuda do incrível macumbeiro Jubiabá a consegue salvar. 
O garoto então é submetido aos cuidados de um comendador rico, que o cria com muitos cuidados e dedicação. Na casa desse comendador, Balduíno conhece a meiga Lindinalva, por quem se apaixona rapidamente e mantém um extremo respeito, um amor platônico.
Embora estivesse vivendo em boas condições, Amélia, a criada do comendador, era uma branca de origem italiana , odiava negros, tornou a vida do pequeno em um pavor. Tamanho foi essa paúra que induziu Balduíno a fugir da casa do comendador e fosse viver sua vida na rua. 
Já sem teto, Balduíno tenta a vida na "mendigagem", onde encontra vários garotos, cada um mais peculiar que o outro para lutarem pela vida. 
Acredito que Jorge Amado gostou tanto de descrever a vida daqueles garotos de rua com suas particularidades que acabou, dois livros posteriores a esse, a escrever Capitães da Areia, o livro dedicado especialmente aos garotos de rua, mas vamos deixar essa questão mais para frente, quando formos discutir esse livro impecável! 
Baldo torna-se lutador de boxe, trabalha em um circo , canta sambas e ABCs, trabalhador e tudo mais. Ama diversas mulheres, tem seus encontros e desencontros. 
Uma perda notável faz com que ele entre em uma leve depressão, não vê mais sentido na vida, apenas uma causa o faz reviver, o desejo de se juntar aos trabalhadores numa greve, greve essa que buscava melhores salários e melhores condições de trabalhos, uma vez que os trabalhadores se viam em condições próximas da escravidão. 
Indico demais esse livro, não contarei mais das aventuras de Baldo para não oferecer spoilers para vocês. Porém alguns pontos acho interessante ressaltar:
* embora Antônio Balduíno fosse um personagem interessante e divertido, o machismo presente em suas atitudes são marcantes, não só nele, mas em todos homens naquela sociedade baiana. 
* A presença de várias citações de personagens marcantes da história brasileira, como: Lampião; Zumbi dos Palmares; Antônio Conselheiro, entre outros. 
* A questão do ABC, que seria uma espécie de biografia de pessoas com histórias importantes é muito bem ressaltado, em todos os momentos, Balduíno deseja ser uma pessoa famosa para ter seu próprio e notável ABC.
* Esse planto do ABC encontraremos no ABC de Castro Alves, onde Jorge Amado fará uma biografia do poeta da terceira geração romântica. 
* Modo Jorge Amado de escrever: parágrafos extremamente longos e carregados de informações.

Embora eu encontrei diversos infortúnios para ler esse livro( edição ruim, provas, trabalhos e eventos ), eu curti a leitura. 
Para finalizar, temos um breve trecho sensacional do ABC de Antônio Balduíno: 

"Este é o ABC de Antônio Balduíno 
Negro valente e brigão 
Desordeiro sem pureza 
mas bom de coração. 
Conquistador de natureza 
furtou mulata bonita
Brigou com muito patrão 
morreu de morte matada
mas ferido a traição. "
(AMADO, Jorge, 1934, p.249. )


***
Fotos do livro jubiabá pelos participantes do projeto:




O que acharam dessa experiência? vou adorar saber suas impressões por esse livro divertido que é Jubiabá!

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