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sábado, 14 de março de 2020

Resenhas: Tenda dos Milagres + Tereza Batista Cansada de Guerra #lendojorgeamadoliterall

   Boa noite, leitores! Como estão? 
   Nosso projeto está um pouco atrasado em relação às postagens das resenhas aqui no blog. Em razão disso, hoje conversaremos um pouco sobre os livros de janeiro e Fevereiro: Tenda dos Milagres e Tereza Batista cansada de guerra. 
   

* Tenda dos Milagres
   Esse interessante e dinâmico livro, publicado em 1969, marca um forte debate que Jorge aguça na literatura brasileira: o embate da cultura branca com a cultura afro.  

   Rico em detalhes, vamos acompanhar o estudioso e querido Pedro Arcanjo, um cientista social que acaba sofrendo por não ser branco e não estar enquadrado na cultura erudita. Temos aqui a questão central do livro. Mesmo que Pedro seja um cientista importante e sensacional, as incertezas movidas pela academia e pela mídia fazem com que esse personagem não desfrute de um grande reconhecimento. 
   Em contraste à elite racista, Pedro é a grande referência para a população das ladeiras de Salvador, povo esse que admira e valorizam a cultura da capoeira, danças afros, terreiros e festas populares. 
   Achei essa obra, apesar da temática pesada e polêmica, divertida, rica em cultura, opinião e, sobretudo, excepcionalmente narrado pelo nosso querido Amado. 


*Tereza Batista cansada de Guerra
   Lançado em 1972, esse é, certamente, uma das maiores obras de Jorge Amado, que nos apresenta uma personagem forte, marcante e especial.  

   Como uma espécie de biografia da mulher, acompanhamos a pesada e chocante vida de Tereza que, aos treze anos foi vendida pela própria tia para o capitão Justiniano. A obra, então, retratará o desenrolar dessa vida de Tereza que em sua vida suportou demais! 

   A grande questão do livro está enraizada na problemática de como nossa sociedade machista e patriarcal ao ponto de inferiorizar as mulheres e impor, de modo opressivo e violento, os desejos do homem. 
   Ainda assim, temos um livro com a pegada de Jorge que tanto amamos, que denuncia a desigualdade social e econômica da sociedade, marcada nesse livro no nordeste. 
   Tão logo, temos um livro pesadamente lindo, assim como tudo que não só Tereza, mas sim os retratos das mulheres que compõem a obra. 
   Em tempos sombrios, essa leitura é mais do que válida. 

***

E aí, quem leu esses livros? Comentem o que acharam <3 


     
  

domingo, 1 de março de 2020

Resenha: Insane ( K.C. Fraquini)

   Boa tarde, queridos leitores! Como estão? 
   Sei que estou devendo duas resenhas do nosso projeto dos livros do Jorge Amado, elas sairão no decorrer dessa semana. Porém, hoje gostaria de conversar um pouquinho das minhas considerações do lindo livro Insane, da escritora K.C. Fraquini. Bora lá?!
   Lançado pelo Grupo Editorial Hope em 2019, temos um belo romance dark. 
   O livro vai contar a história da misteriosa Anna, que acorda em uma cena de assassinato do seu próprio irmão. Desesperada e com o objetivo de uma fuga de si mesma, a garota decide mudar de vida, de cidade e esquecer de tudo. 
 O que ela não espera, mesmo mudando para uma cidadezinha do interior dos EUA é que os mesmo conflitos que ela convivia no passado a assombrarão e farão com que ela lide com seu demônio interior. 
  Carnívoro, amoroso, intenso, apaixonante, tenso e insano, o livro abordará alguns temas pesados com muita maestria. Rico em detalhes, conseguimos cinematograficamente assistir a perigosa vida de Anna, Peter e Gabe. 
   Amei demais! 
   Para quem tem um bom estômago, gosta de altas doses de tensão e, ao mesmo passo, adora um romance, esse livro é uma grande aposta! Recomendo. 

***
Comprem essa maravilha! 

E-book Amazon: https://amzn.to/3copRvO

   

sábado, 25 de janeiro de 2020

Resenha: O Rapto dos Dias (Kenny Teschiedel )

   Boa tarde, queridos leitores! Como estão? 
   Hoje vamos conversar um pouquinho sobre esse livro sensacional de Kenny Teschiedel, O Rapto dos Dias. 
   Lançado em 2019, pelo Grupo Editorial Hope, o livro do gaúcho Kenny tem emocionado os leitores e proporcionado altas doses de drama e reviravoltas.


   É sobre olhar a situação do outro, entender, compreender e tentar, mesmo que esteja distante, se colocar no mesmo lugar. 
  O Rapto dos Dias, romance de Kenny, tem várias dessas nuances. A cada capítulo, somos testados a desconstruir nossos conceitos sobre o que de fato acontecia com Rosana, Francisco e Catarina -não esquecendo das tramas secundarias-. 
   Com uma escrita criativa, estudada, polifônica, detalhista e cinematográfica, Kenny cria uma atmosfera densa e pesada para sua obra. É impossível o leitor não mergulhar no livro e não cair nos dilemas vividos por essa família problemática. 
   Narrado por diversas personagens, o livro conta a história dos irmãos, Francisco e Catarina e sua mãe Rosana, que se vê presa, obrigando seus filhos a irem parar num orfanato. 
 O entendimento de uma sociedade machista, racista, desigual e preconceituosa assola toda a obra, uma vez que essas personagens sofrem com essas mazelas de nossa sociedade contraditória que inspira o ódio. 
  O livro é incrivelmente necessário. Com essa experiência, o leitor é capaz de sentir, mesmo que de fora, um pouco da grande realidade brasileira marginalizada e que sofre todos os dias. 

  Em vários momentos da leitura tive vontade de poder fazer alguma coisa, de gritar, de ajudar, de me mover. É sufocante. Recomendo demais a leitura! 
5/5

Compre o livro, tenho certeza que a experiência será única!
Onde comprar: 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Resenha: Dona Flor e seus dois maridos #lendojorgeamadoliterall

Boa noite, queridos leitores! Como estão? Hoje vamos conversar um pouquinho sobre esse maravilhoso livro de Jorge Amado, Dona Flor e seus dois maridos. 

Lançado em 1966, essa grande obra, tanto literária, quanto em número de páginas, narra a vida de Florípedes e, obviamente seus dois maridos, Vadinho e Teodoro.
O livro começa com a morte de Vadinho, o primeiro esposo de Flor e, se posso dizer, sua grande e verdadeira paixão. Numa festa de Carnaval, o terrível Vadinho cai morto na rua, e deixa toda a sociedade de Salvador sensibilizada, uma vez que esse personagem era amado por todos. O primeiro esposo de Flor não a merecia, enquanto ela era uma mulher dedicada, linda, comprometida e apaixonante, ele era um bêbado viciado em jogo e a traía com a cidade toda. 
Apesar dos pesares, Flor o amava incondicionalmente, mesmo sofrendo de ciúmes e de todas as tramoias que Vadinho aprontava, ela era apaixonada e isso fez com que nós, leitores, também gostássemos dele. 
Após a morte de Vadinho, e o profundo luto de Dona Flor, temos então o novo relacionamento da cozinheira, o farmacêutico Teodoro. 
Teodoro era um homem mais velho e regido de bons costumes e uma intelectualidade invejável. O casamento dos dois era do sonhos, Flor era tratada como toda mulher gostaria de ser tratada, com carinho, respeito e liberdade. Entretanto, apesar de toda a felicidade, Dona Flor não se sentia completa, até, certo dia, desejar seu ex marido morto. 
Acontece que o espírito de Vadinho retorna e a atazana em todos os momentos. Tão logo, Dona Flor se vê entre os dois maridos. 
É um livro delicioso, divertido e conta com muitos elementos que prendem a atenção do leitor, seja com a narrativa cinematográfica, quanto com as reviravoltas e toda a construção da obra, referenciando a cultua e religiosidade afro, e a identidade de um Brasil multifacetado. 
O que acharam desse livro? Eu amei demais! 

domingo, 1 de dezembro de 2019

Resenha: Os pastores da noite (+ o Compadre de Ogum). #lendojorgeamadoliterall

Boa noite, amados! Como estão? Hoje vamos conversar um pouquinho sobre Os pastores da noite (e O compadre de Ogum).
Dividido em três histórias, o livro se baseia no casamento de Martim e Marialva, que causa transtorno em toda a Bahia. 

Os amigos boêmios Negro Massu, o Cabo Martim, o Pé-de-Vento, o Jesuíno Galo Doido, o Cravo na Lapela e Curió nos acompanham nessa aventura, de uma vida dinâmica e desprovida de grandes preocupações sociais. Com eles, aprendemos um pouco mais do significado de amizade e fidelidade.
Na primeira história temos, justamente, a história dos dois, Cabo Martim e da Marialva, esta que pela sua beleza e sensualidade desperta interesse de outros homens, como o caso do Curió que se apaixona pela mulher, mesmo ela sendo a companheira de seu melhor amigo. 
Na segunda história, essa a parte de "O Compadre de Ogum", encontramos uma linda passagem e mistura de religiões, o sincretismo religioso do catolicismo com o candomblé. Nessa história, entramos em contato com um lado de Jorge na qual ele respeitava demais e, se posso dizer, seguia, de certa forma, alguns ritos. Nessa narrativa, acompanhamos a história o batizado de Felício, um garotinho lindo de olhos azuis filho da Benedita com o negro Massu.
Por fim, o terceiro momento é sobre a invasão do morro do Mata Gato. Trata-se de uma desapropriação de toda a vida ali presente. Ao fundo, podemos enxergar uma força do capital agindo sobre tudo e sobre todos. É o lado mais político de Jorge agindo no livro todo. 
Como eu disse, o livro é bem dinâmico e divertido, apesar do desfecho se desenrolar sobre aquelas questões políticas todas. Tudo o que eu mais queria era poder ter mais tempo para poder ter lido ele melhor, como estou no final do semestre, tudo está na maior correria por aqui, infelizmente. Tão logo, não o aproveitei 100%. Porém, eu indico demais a leitura a todos! Minha querida amiga Regina me indicou o filme para assistir, mas até o momento, não consegui assistir =(
E vocês, o que acharam? 

domingo, 10 de março de 2019

Resenha Seara vermelha -- Jorge Amado #lendojorgeamadoliterall

   Boa noite, leitores! Como estão? 
   Hoje falaremos um pouco sobre esse livro incrível que é Seara Vermelha. 
   A princípio, eu enxergo a obra como um mix de influências de outros escritores brasileiros, como Euclides da Cunha, Graciliano Ramos e Ranchel de  Queirós. 

   Na obra, acompanhamos a lutra de retirantes nordestinos em busca de uma melhor condição de vida, partindo do Sertão nordestino para  São Paulo. 
   Todo o trajeto desses  retirantes é narrado de forma tocante, cheia de tensões e muito sofrimento. 
   Mais uma vez somos apresentados a uma terra sangrenta, um fanatismo religioso (bem explorado nesse livro), e o embate ideológico exposto na obra, sobretudo quando Jorge articula seus ideais em argumentos contra os latifundiários. 

   A morte, que acompanha toda a viagem desses nordestinos, é uma das personagens principais, levando consigo até os os animais de estimação, sendo a cena da gata Marisca, a mais tocante para mim. 
   Na obra, temos diferentes desfechos para os personagens, alguns encontram a militância, outros a religião, alguns trabalho e os demais a morte.
   Como de costume, haja vista as resenhas anteriores, não tenho dado detalhes de cada obra, sendo esses detalhes explorados nas discussões no grupo do projeto. Logo, venham participar conosco! 
  Recomendo demais esse livro, mesmo ele sendo bem pesado, proporcionando agonia e desespero, é uma obra memorável do querido baiano. 
   O que vocês acharam desse livro? 


terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Resenha "Diva" - José de Alencar

   Bom dia, leitores! Como estão? Hoje trago uma breve resenha, de um dos meus escritores favoritos, Diva de José de Alencar.

   Esse livro parece-me um primeiro teste de Alencar na construção de uma personagem forte como a Aurélia, de Senhora. Nesse livro, Emília, a Diva, é construída de maneira bem próxima com Aurélia, uma mulher forte e com personalidades marcantes e peculiares. 
   Temos então, a estória de amor entre Augusto, um médico recém formado, e Emília, sendo esse primeiro encontro um momento especial, na qual Augusto tem sua principal missão curar a jovem enferma Emília. Na ocasião, a personagem principal era feia e nada chamativa. 
   Com muita hostilidade, desde o primeiro encontro, Emília tratava o jovem médico. Os dois vivem numa grande instabilidade, com trocas de humilhações (sobretudo por Emília), desprezo, amor e amizade. Mesmo assim, Augusto mantem a chama de sua paixão por Emília, se declarando e recebendo um grande gelo.
   Típico de um romance romântico, vamos acompanhar esse jogo do amor entre os dois, sendo o principal obstáculo, a barreira e conflito, a aceitação desse sentimento.
   Mesmo Emília pisando em Augusto o livro todo, impondo-se como uma mulher livre e, de certo modo, independente, nas últimas linhas do livro temos ela renegando o amor, colocando-se a disposição de Augusto, perdendo, então, seu espaço para o machismo. 

                               *ALERTA SPOILER*
"– Mas reflita, Emília. A que nos levará esse amor?
– Não sei!... respondeu-me com indefinível candura. – O que sei é que te amo!... Tu não és só o árbitro supremo de minha alma, és o motor de minha vida, meu pensamento e minha vontade. És tu que deves pensar e querer por mim... Eu?... Eu te pertenço; sou uma coisa tua. Podes conservá-la ou destruí-la; podes fazer dela tua mulher ou tua escrava!... É o teu direito e o meu destino. Só o que tu não podes em mim, é fazer que eu não te ame!..." - (ALENCAR, 1864, p.144)

   O livro, que trabalha como uma narração de história entre amigos (Paulo e Augusto), termina com Augusto escrevendo ao amigo o desfecho dessa história de amor. 
"Enfim, Paulo, eu ainda a amava!...
Ela é minha mulher." (ALENCAR, 1864, p.144)


                                                      ***

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Quem já leu esse livro? O que acharam? 

domingo, 16 de dezembro de 2018

Resenha: Terras do sem-fim #lendojorgeamadoliterall

   Boa tarde, galera! Como estão? Hoje vamos conversar um pouquinho sobre o, talvez, meu livro predileto de Jorge Amado o Terras do sem-fim.
   Com muitos personages e uma narração extremamente dinâmica, acompanhamos mais um livro que um dos personagens principais é o cacau baiano. 
   No livro temos dois principais focos que vão promover diversos conflitos na trama, a família dos Badarós e a do coronel Horácio. Essas famílias, que são ricas e grandes propriedades de terras cacaueiras lutam, literalmente, por um resquício de uma mata nativa, a Cerqueiro Grande, para expandir suas terras com as plantações de cacau. 

   Como das últimas resenhas, não contarei os acontecimentos lineares, para não estragar a leitura de vocês, caso você tenha interesse de saber mais, além de ler o livro, entre em contato e participe do nosso grupo de leitura cronológica dos livros do Jorge!
   Voltando... atrelado a essa disputa pela terra, encontramos uma sociedade problemática que encara certas críticas promovidas por Jorge Amado. 
   Temos a questão migratória dos nordestinos mais pobres que buscam alguma melhoria de vida indo trabalhar nesses campos de fazendeiros ricos, encarando regimes de completa servidão; temos a situação da mulher que é construída como um mero objeto para os homens; temos o processo de ocupação desigual e conflituoso na terra; a política movida pela corrupção e interesses de oligarquias; a igreja como instituição sendo criticada e movida por interesses políticos; a prostituição e, por fim, a banalização da morte. 
   Como estudante de geografia, consegui identificar diversos aspectos na leitura que fazem todo o sentido com meus estudos, como a questão agrária, movida por conflitos no campo, e a regionalização do espaço brasileiro, sendo ele desigual, contraditória e conflituosa. Já fiquei com uma vontade tremenda de usar esse livro no meu trabalho de conclusão de curso, inclusive vou conversar com minha orientadora o quanto antes! <3
   Mas não é só de conflito que se constrói a trama do livro, por exemplo, meus personagens favoritos, Virgílio e Ester vivem uma história de amor proibido e perigosa, com um final trágico, Jorge Amado esboça as convencionalidades daquela sociedade que tinha como pano de fundo as décadas de 1910/20, onde a distribuição de terras no Brasil eram dadas a quem quisesse plantar. 
   Super recomendo esse livro, que embora seja de 1943, é atemporal, mostrando o contexto de um Brasil que cultiva a cultura do ódio. 
   É isso, então, galera! Quem ai leu essa preciosidade? O que acharam? Venham discutir conosco no projeto!! 




sábado, 17 de novembro de 2018

Resenha: O cavaleiro da Esperança- Jorge Amado #lendojorgeamadoliterall

   Boa noite, pessoal! Quanto tempo, não?!
   Desculpa o sumiço, mas meu tempo está muito corrido nesse semestre, trabalho, faculdade e projetos de escrita acabaram fazendo com que nos atrasássemos um pouco com a leitura cronológica, mas estamos firmes e fortes! Logo, vamos  apresentar mais uma resenha! Chegamos então, no oitavo livro de Jorge! O Cavaleiro da Esperança!

   Essa biografia ambientada nos árduos tempos de tensão mundial, na qual a Europa se via sob conflitos da segunda guerra mundial e regimes totalitários, e o Brasil vivia sob o Estado Novo de Getúlio Vargas, Jorge Amado escreve sua obra numa espécie de afrontamento a todo aquele contexto, além de ser um pedido pela anistia de Luis Carlos Prestes.
   Jorge amado, além de tecer um grande panorama sobre o contexto político e social do país na época, denunciando instituições e corrupções politicas e sociais, o escritor baiano recria com ricos detalhes a vida do militar prestes. 
   Como eu havia comentado com o pessoal do grupo do projeto ( se você ainda não está no grupo e quer participar conosco, deixe um comentário que te adiciono lá! ;),  hoje eu não farei uma resenha sobre os acontecimentos do livro, e sim colocarei alguns pontos que usei num projeto científico para a faculdade, na qual eu apresento "Geografia e Literatura: Em busca da identidade brasileira perdida" onde eu faço uma recapitulação da literatura sobre aspectos culturais, sociais e estereótipos brasileiros. Nada melhor do que usar Jorge Amado, né? 

A partir da “Teoria do Cavaleiro da Esperança” de Jorge Amado, julgado, sobretudo como uma questão, uma hipótese, o escritor baiano nos apresenta em sua obra de 1941, a seguinte problemática:  em  tempos  de  crises,  o  brasileiro  busca  e,  se  faz  necessário  essa  busca,  de aspectos de nossa cultura e, ainda mais, representantes e heróis nacionais para extinguir as crises culturais, sociais, políticas e econômicas que o país vive.
   Na dada época que o livro fora publicado, o Brasil se via sob o forte regime do Estado Novo de Getúlio Vargas, que trabalhava com a censura e a opressão contra aqueles que se recusavam a se sujeitar a um governo repressor e com tendências fascistas. Jorge Amado, então, discorreu em seu livro a biografia de Luís Carlos Prestes, símbolo de resistência e luta do povo brasileiro. 
A busca de características que refletem a identidade brasileira é uma consequência para enfrentar as crises políticas, sociais, culturais e econômicas que o Brasil vem enfrentando. As tensões que moveram instabilidades políticas brasileiras nos últimos anos contribuíram, e muito, para um descontentamento da população e, com isso, o sentimento de insatisfação e a perda do orgulho de ser brasileiro.
Na obra, acompanhamos uma biografia, de um modo não convencional, de Luís Carlos Prestes, símbolo de luta e resistência contra o governo autoritário de Getúlio Vargas na época. O próprio Jorge Amado admite que seu trabalho trata-se de um livro político, com intenções claras: além de buscar a anistia de Prestes, temos uma obra que incita os brasileiros a salvarem o  Brasil  da  grande  crise  política  e  cultural  que  vivia,  buscando,  assim,  suas  características
nacionais.
“Na luta pela anistia, pela democracia e contra o Estado Novo, mas principalmente contra o fascismo, este livro foi uma arma. [...] Este é um livro político, escrito para a campanha de anistia, para a liberdade de Prestes.” 
Jorge, assim como grande parte dos escritores regionalistas e da década de 30 tinham um caráter de crítica ao governo opressor em seus romances, sendo eles reprimidos, censurados e, no caso do escritor baiano, exilados.
O Cavaleiro da esperança foi um dos livros do escritor que foram queimados em praça pública,  com  a  justificativa  de  que  tratavam-se  de  livros  comunistas  e  contra o  governo  de
Vargas.

Logo no seu prefácio para a edição brasileira publicada em 1942, Amado propõe uma ideia para que o Brasil tomasse as rédeas.
“O governo que nascer das eleições deve ser, para poder cumprir a sua missão histórica de dirigente da sexta potência mundial, necessariamente de unidade nacional, sem o que só nos restaria a desgraça de guerra civil.”
Mas os movimentos de resistência brasileira na época eram censurados e silenciados, existiam sim grupos opressores todos àquela situação, buscando saídas. Jorge Amado, acredita que as ferramentas para combater de forma eficaz a questão seria buscar através da arte e cultura.
“A verdadeira inteligência brasileira resistia, no entanto, por vezes apenas com o silêncio, mas resistia. [...] Em compensação abre-se uma radiosa perspectiva para a literatura e a arte brasileira com a volta da liberdade, com a liquidação do nazifascismo, com a possibilidade de discutir os problemas brasileiros, de criar sobre a realidade do povo. ”

Diante  de  uma  crise,  como  vivemos  hoje  e  a  vivida  por  Jorge  Amado,  guardada  as proporções, contam com uma necessidade de resgatar nossas características enquanto povos unificados para sair dos conflitos. São as características, sentimentos, patriotismo e os interesses em comum que fazem surgir os “heróis” nacionais. O caos da espaço para possíveis milagres.
“Um dia o povo negro do Brasil, escravo e desgraçado, fez o milagre de poesia que foi o poeta Castro Alves. Um povo que não podia falar precisando de uma voz que clamasse. Fez o milagre da mais bela das vozes.”

Surgindo assim o herói nacional, com suas representações e individualidade
“Herói, que coisa tão simples, tão grande e tão difícil! Que palavra mais linda! Só o povo, [...], concebe, alimenta e cria o Herói. Nasce das suas entranhas que são as suas necessidades. Nasce do povo, é o próprio povo máximo das suas qualidades. Como o Poeta, vai na frente do povo. O Poeta e o herói constroem os povos, dão-lhe personalidade, dignidade e vida. São momentos supremos na vida de uma nação e na vida de um povo. Tão necessários como o ar que se respira, a comida que se come, a mulher que se ama. [...] o povo nunca se engana. Ele sabe como é a voz dos seus poetas, porque é a sua própria voz. Ele reconhece a figura dos seus heróis porque é a própria figura. [...] . Seu coração e seu pensamento estão com seu Poeta e o seu Herói, sua voz e seu braço.”

  Assim, atrelo aspectos sociais, culturais, geográficos e políticos na construção de minha pesquisa. A literatura é a representação de um povo e assim, seus heróis presentes. Essa pesquisa tem como interesse buscar através da literatura as personagens mais marcantes do nosso literato e as suas representações para sairmos das crises que temos vivido
***

É isso então, pessoal! Eu gostei bastante do livro e recomendo a todos que gostam de uma boa biografia, sobretudo de daquelas com toques especiais, como Jorge já nos provou em "ABC de Castro Alves" e agora com "O Cavaleiro da Esperança"! 
E vocês, o que acharam desse livro?

Ps.: Desculpa os diversos tipos de formatação e, em especial, o formato de citação equivocado, o motivo para essa estabanação é a própria plataforma da blogspot que não oferece boas ferramentas para tal ato.


domingo, 10 de junho de 2018

Resenha: Suor - Jorge Amado #lendojorgeamadoliterall

  Boa noite, galera! Como estão? 
 Depois de um tempinho ausente, e peço desculpas pelo atraso, continuamos nosso projeto firmes e fortes! Hoje trago, então, a resenha do terceiro livro publicado por Jorge Amado (1934), "Suor".
 Suor que também faz parte dos livros socialistas e popularmente conhecidos como "panfletários", também acabou sendo queimado pelo governo de Getúlio Vargas. 

 Nesse livro, ambientado no pelourinho na Bahia, encontramos um casarão antigo que se transformou em um cortiço habitado por vários moradores em situações de pobreza e miséria. O interessante nesse ponto é a presença de diversas pessoas de distintas origens, temos um judeu, espanhóis, cearenses e outros mais. 
 Esses moradores se encontram em estados de extrema pobreza, como já disse, dividem espaço com ratos, baratas e até uma cobra. Lemos esse livro conseguindo sentir essa calamidade, cheiros podres, urinas e marginalização. 
  Acho que vocês já leram algo parecido, não é mesmo? Jorge Amado consegue, assim como Aluísio de Azevedo, transparecer em sua escrita um tom escatológico. 
  O que difere "Suor" ao "O Cortiço" é que com jorge Amado, encontramos uma linguagem mais coloquial, completamente próxima da musicalidade falada dos moradores do 68. Não que Aluísio não demonstrasse isso em seu cânone, porém encontrei isso melhor exposto com Jorge Amado. 
  Outro aspecto interessante é a narração dinâmica em que encontramos em "Suor", diferentemente dos primeiros livros anteriores, aqui encontramos um maior número de personagens e um foco narrativo não apenas em um personagem, mas sim nesse "ciclo" envolvendo personagens diferentes. Por essa razão, reflito que o personagem principal é o próprio cortiço!
  Prostitutas, operários, lavadeiras, costureiras, mendigos, desempregados e anarquistas constroem o cenário desse envolvente livro que retrata o cotidiano de pobreza, sujeira  e libertinagem da vida urbana. Construídos pelo suor de cada um (a vida difícil que cada um leva consigo), temos um caráter de opressão e a exploração. O final, e agora concreto nas palavras de Jorge, e a revolução. (Encontramos alguns personagens com essa inspiração).
  O divertido, não sei se é a palavra correta para usar, de ler esse livro é conviver as dificuldades junto com esses personagens singulares, a luta por uma vida melhor, seja ela da maneira mais suja possível. 
Alguns pontos são importantes de se notarem, como a sociedade machista, a opressão (disfarçada pelo capitalismo), e o estivo de vida dos personagens, como uma espécie de categorização.
"Homem para ser homem precisa beber cachaça, dormir na cadeia e ter gonorreia" AMADO, 1934, p.52
 Em vários momentos encontramos ideias de descontentamento dos moradores, que sempre conversavam sobre revoluções, tinham grande influência (além de saberem) da Revolução Russa. 
  Uma passagem me marou bastante, e é com ela que eu gostaria de concluir essa resenha, encontramos uma passagem em que uma moradora negra, com outro negro, o Henrique estão conversando, temos o seguinte diálogo:
"-Você sabe qual é a coisa mais maravilhosa do mundo?
[...] - Não sabe qual é? É o cavalo. Se não fosse o cavalo, branco montava em negro..."AMADO, 1934, p.44
  Essa abora, acima de tudo, é de extrema importância para o modernismo brasileiro, pois com ela conseguimos um grande feito em que os escritores modernistas sempre tinham e pauta e buscavam encontrar: o social brasileiro. (Neste caso, a triste realidade dos marginalizados do Brasil, a grande maioria da população da época). 
  Enfim pessoal, gostei bastante da leitura, eu confesso que esperava mais, queria ler algo mais parecido com o cortiço do Aluísio de Azevedo, com muito barraco e tramas mais concretas, porém Jorge Amado conseguiu criar um livro bom e memorável. Recomento! 
  E vocês, quem já leu "Suor"? Deixe nos comentários o que acharam dessa aventura! 
  Foto das leitoras que acompanham o projeto e usaram a #lendojorgeamadoliterall



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sábado, 31 de março de 2018

Resenha: Cacau - Jorge Amado #lendojorgeamadoliterall

   Bom dia, galera! Seguindo nosso cronograma do projeto, vamos conversar um pouquinho sobre o segundo livro publicado por Jorge Amado em 1933, "Cacau".   
   Acompanhamos a vida de José Cordeiro, sergipano que se vê obrigado a trabalhar numa fazenda de cacau no sul da Bahia. José que era filho de um industrial, perde sua herança após um golpe de seu tio. A melhor saída para essa crise, foi mudar-se para a Bahia a procura de um trabalho. 
   Em Pirangi, na fazenda Fraternidade (uma ironia esse nome, pois essa virtude não existe no livro e, muito menos pelo senhor da fazenda), José consegue um serviço na plantação de cacau, onde se desenvolverá toda a história. Como o próprio Jorge Amado diz, "Tentei contar nesse livro, com o mínimo de literatura para um máximo de honestidade, a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau do sul da Bahia." 
   De fato, Jorge Amado consegue cumprir com o prometido logo no início do livro, a caracterização dos trabalhadores, com um cunho apegado às questões sociais, transformaram um livro que ele mesmo se questiona "Será um romance proletário?". Esses trabalhadores retratados no livro sofrem tratamentos de semi-servidão, com relações de trabalho próximas ao escravismo. 
   Os trabalhadores eram comparados a animais, por simplesmente não possuir voz e nenhuma condição social para reverter a situação em que eram submetidos. 
"Mais animais do que homens, tínhamos um vocabulário reduzidíssimo onde os palavrões imperavam (…). Eu, naquele tempo, como os outros trabalhadores, nada sabia das lutas de classe. Mas adivinhávamos qualquer coisa."
Com uma linguagem extremante coloquial, com gírias regionais e palavras pronunciadas erradas pelos trabalhadores, porém com muita sensibilidade e tons de crítica (veja bem, apenas tons, pois ainda não encontramos nesse segundo livro de Jorge, soluções e caminhos para resolver a problemática central do livro), Jorge Amado consegue reproduzir em seu livro, cenas cinematográficas dos trabalhadores nas fazendas de cacau, cada personagem com suas particularidades e histórias para contar.
   Seguindo a narração, Sergipano, jovem loiro e alfabetizado, é um contraste com os demais trabalhadores e, logo, chama a atenção de Maria, a filha do patrão. José se vê com uma grande oportunidade de ser patrão novamente (tendo em vista que teve a oportunidade na indústria em que seu tio lhe pregou um golpe), caso continuasse suas relações com Maria. Porém, o jovem não queria ter essa vida de patrão, resolvendo, então, ficar do lado dos trabalhadores. Seria esse o caminho proposto por amado envolvendo o capitalismo (com os patrões) de um lado x o socialismo (uma luta das classes trabalhadoras) de outro. 
   Como disse antes, o livro vai apresentar diversos traços de uma classe social baixa, ou melhor, trabalhadores explorados das diversas maneiras. Somos apresentados no livro, meninas com 11 anos envolvidas na prostituição, exploração, críticas ao capitalismo e ao escravismo. 
   Na edição que li, da editora Record de 1987, apresenta ilustrações de Santa Rosa. São fantásticas! combinaram com a escrita do Jorge, com traços grossos e rudes. 


   Não gostei tanto assim da leitura, confesso que fiquei irritado com algumas expressões e a linguagem extremamente simplória e seca. Super entendo que faz parte de toda uma estratégia do Jorge em retratar a vida dos trabalhadores de maneira mais real possível, porém não me agradou muito. Gostei mais da leitura do primeiro livro publicado por Jorge, "O País do Carnaval". 
    Cacau é o livro que dá um pontapé inicial para jorge escrever sobre questões que envolvem esse cultivo e as relações de trabalho nas zonas cacaueiras.
   Mas super recomendo a leitura! É um grande baque se encontrar com esses guerreiros que ajudaram a formar a cultura e economia de nosso país. 
   E vocês, o que acharam? comentem aqui! vou adoras saber da experiência de vocês com esse livro! 
   Já viram os posts do projeto aqui no blog? 

O próximo livro a ser lido do projeto é "Suor", venha ler com a gente! 
Onde comprar: https://amzn.to/2GC6yT1

Foto da leitura dos participantes do projeto! Sigam eles no insta! 






domingo, 18 de fevereiro de 2018

Resenha: Cinco minutos - José de Alencar

   Boa noite, galera! O que estão lendo? Hoje trouxe uma resenha de um livro incrível de um dos meus escritores favoritos da vida! Como o próprio título apresenta, vamos conversar um pouco sobre o romance de estréia de Alencar, "Cinco minutos" (1856).
   Por ser sua primeira publicação literária, "cinco minutos" também pertence a fase do romance ingênuo de José de Alencar. Não temos grandes características sociais, personagens que carregam caracterizações ou possíveis críticas para o contexto (mesmo que o romantismo *em geral* não apresente muito disso), além disso temos finais felizes e muito amor. É um romance curto, que foi publicado em folhetins e que tem como sua principal função, entreter os leitores. Esse molde com esse objetivo deu super certo! 
   Lemos uma história do narrador para a sua prima "D.". Nesse romance, vamos acompanhar a história de amor do narrador, que não nos é apresentado seu nome, que está atrasado há 5 minutos para pegar seu ônibus, mas nesse apuro, acaba por perder sua condução. Perdeu seu transporte mas ganhou um amor, uma mulher misteriosa, que o narrador não consegue enxergar seu rosto entra em contato com ele, na minha visão, insinuando um possível afeto. 
   Nosso narrador fica apaixonado pela mulher que não conhece e não sabe se é velha, nova, bonita ou feia. Essa personagem sempre o amou em anonimato, perseguindo-o em vários eventos sociais daquele Rio de Janeiro do século XIX. O narrador, que nunca sentira o amor, encanta-se com a donzela e passa a persegui-la. 
   Como em todo romance romântico bom, temos um conflito na questão do amor proibido. Em determinado ponto, os dois se encontram e a senhora se mostra como uma linda jovem de 16 anos, porém ela lhe diz que esse amor não seria possível, eles não podiam se amar. 
   A partir daqui teremos spoiler!!! Estão avisados!
   Seguindo a prosa romântica, os apaixonados continuaram a se comunicar com cartas. A razão pela qual aquele amor seria proibido se dava ao fato da jovem ter uma doença terminal e, em razão disso, ela precisava viajar o mundo em busca de uma possível cura para a sua doença, que era um "grande átomo em seu seio". 
   O único pedido da donzela para o narrador era que ele não a esquecesse jamais, o que levou a travar vários desafios para acompanhar os passos da donzela. Ela pede para que escolha se quer ir ao seu encontro e convier com seus últimos dias de vida ou esquecê-la e não presenciar seu sofrimento. 
   Eis que o nosso narrador decide ir ao encontro do seu amor. A jovem consegue a cura e os dois se casam! O amor, nessa história foi a cura para a donzela, que descobrimos que se chama Carlota. Aceitar aquela situação e permitir que aquele amor desabroche, salvou a mulher e uniu os apaixonados. 
   Temos, então, uma linda história de amor bem típica da primeira fase do romantismo. 
   Cinco minutos foi o quarto livro de Alencar que li, os outros foram: "Iracema" , "A viuvinha" e "Senhora". Amo todos!
   Quero ler tudo o que esse moço escreveu! 

   E vocês já leram José de Alencar? Qual? Querem resenha de algum dos que eu li?
   Obs: Cinco minutos foi o sexto livro lido desse ano.