domingo, 10 de junho de 2018

Resenha: Suor - Jorge Amado #lendojorgeamadoliterall

  Boa noite, galera! Como estão? 
 Depois de um tempinho ausente, e peço desculpas pelo atraso, continuamos nosso projeto firmes e fortes! Hoje trago, então, a resenha do terceiro livro publicado por Jorge Amado (1934), "Suor".
 Suor que também faz parte dos livros socialistas e popularmente conhecidos como "panfletários", também acabou sendo queimado pelo governo de Getúlio Vargas. 

 Nesse livro, ambientado no pelourinho na Bahia, encontramos um casarão antigo que se transformou em um cortiço habitado por vários moradores em situações de pobreza e miséria. O interessante nesse ponto é a presença de diversas pessoas de distintas origens, temos um judeu, espanhóis, cearenses e outros mais. 
 Esses moradores se encontram em estados de extrema pobreza, como já disse, dividem espaço com ratos, baratas e até uma cobra. Lemos esse livro conseguindo sentir essa calamidade, cheiros podres, urinas e marginalização. 
  Acho que vocês já leram algo parecido, não é mesmo? Jorge Amado consegue, assim como Aluísio de Azevedo, transparecer em sua escrita um tom escatológico. 
  O que difere "Suor" ao "O Cortiço" é que com jorge Amado, encontramos uma linguagem mais coloquial, completamente próxima da musicalidade falada dos moradores do 68. Não que Aluísio não demonstrasse isso em seu cânone, porém encontrei isso melhor exposto com Jorge Amado. 
  Outro aspecto interessante é a narração dinâmica em que encontramos em "Suor", diferentemente dos primeiros livros anteriores, aqui encontramos um maior número de personagens e um foco narrativo não apenas em um personagem, mas sim nesse "ciclo" envolvendo personagens diferentes. Por essa razão, reflito que o personagem principal é o próprio cortiço!
  Prostitutas, operários, lavadeiras, costureiras, mendigos, desempregados e anarquistas constroem o cenário desse envolvente livro que retrata o cotidiano de pobreza, sujeira  e libertinagem da vida urbana. Construídos pelo suor de cada um (a vida difícil que cada um leva consigo), temos um caráter de opressão e a exploração. O final, e agora concreto nas palavras de Jorge, e a revolução. (Encontramos alguns personagens com essa inspiração).
  O divertido, não sei se é a palavra correta para usar, de ler esse livro é conviver as dificuldades junto com esses personagens singulares, a luta por uma vida melhor, seja ela da maneira mais suja possível. 
Alguns pontos são importantes de se notarem, como a sociedade machista, a opressão (disfarçada pelo capitalismo), e o estivo de vida dos personagens, como uma espécie de categorização.
"Homem para ser homem precisa beber cachaça, dormir na cadeia e ter gonorreia" AMADO, 1934, p.52
 Em vários momentos encontramos ideias de descontentamento dos moradores, que sempre conversavam sobre revoluções, tinham grande influência (além de saberem) da Revolução Russa. 
  Uma passagem me marou bastante, e é com ela que eu gostaria de concluir essa resenha, encontramos uma passagem em que uma moradora negra, com outro negro, o Henrique estão conversando, temos o seguinte diálogo:
"-Você sabe qual é a coisa mais maravilhosa do mundo?
[...] - Não sabe qual é? É o cavalo. Se não fosse o cavalo, branco montava em negro..."AMADO, 1934, p.44
  Essa abora, acima de tudo, é de extrema importância para o modernismo brasileiro, pois com ela conseguimos um grande feito em que os escritores modernistas sempre tinham e pauta e buscavam encontrar: o social brasileiro. (Neste caso, a triste realidade dos marginalizados do Brasil, a grande maioria da população da época). 
  Enfim pessoal, gostei bastante da leitura, eu confesso que esperava mais, queria ler algo mais parecido com o cortiço do Aluísio de Azevedo, com muito barraco e tramas mais concretas, porém Jorge Amado conseguiu criar um livro bom e memorável. Recomento! 
  E vocês, quem já leu "Suor"? Deixe nos comentários o que acharam dessa aventura! 
  Foto das leitoras que acompanham o projeto e usaram a #lendojorgeamadoliterall



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Links: 
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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Lancei meu segundo conto!

   Depois de três meses de atraso, vim contar para vocês que publiquei meu segundo conto!! 
   Ano passado publiquei pela editora Fonte de Papel, meu primeiro conto "Desvaneios de Luíza em terras sem lençóis" na antologia "Amavios & Obscuridade", gostei bastante da experiência. Com isso, propus uma meta de ter pelo menos um lançamento por ano. 
   Nesse ano já vou lançar meu artigo que fiz na faculdade (acredito que em Maio) o que me deixa muito feliz! Além de já bater minha meta desse "projeto". Contudo, no começo do ano, vi um edital de uma antologia de "(re)contos" de fadas organizado pela editora Hope e, logo de cara, fiquei encantado com a antologia. Escrevi um conto e fui aprovado! 
   Semana passada teve o lançamento da antologia em São Paulo, com os autores que participaram. Não pude ir, mas fiquei feliz com o sucesso dessa organização. 
     
   Meu conto presente na antologia, "Clarice e seus sete anões", acompanhamos a jovem Clarice numa viagem para a cidade de sua avó, que celebrava seu aniversário, até Clarice e sua família sofrerem um terrível acidente. 
   Venham se aventurar com a forte Clarice em um mundo encantado! 
   A história da Branca de Neve vocês devem conhecer, desde minha infância, esse conto mágico era um dos meus favoritos, só perde pros três porquinhos, porque quem supera aquilo, Senhor?! rsrs
   Aliás, queria fazer um reconto dos três porquinhos, mas acabou que não seguiria a proposta da antologia, então resolvi não inscrever o conto para a seleção. (Quem sabe mais pra frente eu o publico).
   O livro "Erra outra vez", que contém meu conto, está lindíssimo, possui vários contos sensacionais com diversas estórias encantadoras!
   Ele esta sendo vendido pelo site da editora por R$30,00. Vou deixar o link no final do post para comprarem. Se quiserem comprar, podem comprar direto pelo site (compras acima de R$100,00 o frete é grátis!) ou podem comprar comigo. Darei marcadores da antologia e um autógrafo caso alguém compre, apenas entrem em contato comigo =)
   Espero que gostem dessa minha novidade, fiquei bem feliz de publicar mais um conto.
   Esse ano ainda espero publicar meu artigo, planejo terminar meu primeiro romance, e quero, também, organizar todos os meus contos numa coletânea só minha, até o final do ano ela sai. Quero muito reuni-los, pois será meus contos escrito até os vinte anos, quem sabe no futuro eu venha a ver minha coletânea e me divirta com o que escrevi! rsrs 
  Bem, esse post era mais um "informe" dos meus projetos e contar essa novidade a vocês. =)


Onde comprar o livro: https://www.editorahope.com/product-page/antologia-era-outra-vez

sábado, 31 de março de 2018

Resenha: Cacau - Jorge Amado #lendojorgeamadoliterall

   Bom dia, galera! Seguindo nosso cronograma do projeto, vamos conversar um pouquinho sobre o segundo livro publicado por Jorge Amado em 1933, "Cacau".   
   Acompanhamos a vida de José Cordeiro, sergipano que se vê obrigado a trabalhar numa fazenda de cacau no sul da Bahia. José que era filho de um industrial, perde sua herança após um golpe de seu tio. A melhor saída para essa crise, foi mudar-se para a Bahia a procura de um trabalho. 
   Em Pirangi, na fazenda Fraternidade (uma ironia esse nome, pois essa virtude não existe no livro e, muito menos pelo senhor da fazenda), José consegue um serviço na plantação de cacau, onde se desenvolverá toda a história. Como o próprio Jorge Amado diz, "Tentei contar nesse livro, com o mínimo de literatura para um máximo de honestidade, a vida dos trabalhadores das fazendas de cacau do sul da Bahia." 
   De fato, Jorge Amado consegue cumprir com o prometido logo no início do livro, a caracterização dos trabalhadores, com um cunho apegado às questões sociais, transformaram um livro que ele mesmo se questiona "Será um romance proletário?". Esses trabalhadores retratados no livro sofrem tratamentos de semi-servidão, com relações de trabalho próximas ao escravismo. 
   Os trabalhadores eram comparados a animais, por simplesmente não possuir voz e nenhuma condição social para reverter a situação em que eram submetidos. 
"Mais animais do que homens, tínhamos um vocabulário reduzidíssimo onde os palavrões imperavam (…). Eu, naquele tempo, como os outros trabalhadores, nada sabia das lutas de classe. Mas adivinhávamos qualquer coisa."
Com uma linguagem extremante coloquial, com gírias regionais e palavras pronunciadas erradas pelos trabalhadores, porém com muita sensibilidade e tons de crítica (veja bem, apenas tons, pois ainda não encontramos nesse segundo livro de Jorge, soluções e caminhos para resolver a problemática central do livro), Jorge Amado consegue reproduzir em seu livro, cenas cinematográficas dos trabalhadores nas fazendas de cacau, cada personagem com suas particularidades e histórias para contar.
   Seguindo a narração, Sergipano, jovem loiro e alfabetizado, é um contraste com os demais trabalhadores e, logo, chama a atenção de Maria, a filha do patrão. José se vê com uma grande oportunidade de ser patrão novamente (tendo em vista que teve a oportunidade na indústria em que seu tio lhe pregou um golpe), caso continuasse suas relações com Maria. Porém, o jovem não queria ter essa vida de patrão, resolvendo, então, ficar do lado dos trabalhadores. Seria esse o caminho proposto por amado envolvendo o capitalismo (com os patrões) de um lado x o socialismo (uma luta das classes trabalhadoras) de outro. 
   Como disse antes, o livro vai apresentar diversos traços de uma classe social baixa, ou melhor, trabalhadores explorados das diversas maneiras. Somos apresentados no livro, meninas com 11 anos envolvidas na prostituição, exploração, críticas ao capitalismo e ao escravismo. 
   Na edição que li, da editora Record de 1987, apresenta ilustrações de Santa Rosa. São fantásticas! combinaram com a escrita do Jorge, com traços grossos e rudes. 


   Não gostei tanto assim da leitura, confesso que fiquei irritado com algumas expressões e a linguagem extremamente simplória e seca. Super entendo que faz parte de toda uma estratégia do Jorge em retratar a vida dos trabalhadores de maneira mais real possível, porém não me agradou muito. Gostei mais da leitura do primeiro livro publicado por Jorge, "O País do Carnaval". 
    Cacau é o livro que dá um pontapé inicial para jorge escrever sobre questões que envolvem esse cultivo e as relações de trabalho nas zonas cacaueiras.
   Mas super recomendo a leitura! É um grande baque se encontrar com esses guerreiros que ajudaram a formar a cultura e economia de nosso país. 
   E vocês, o que acharam? comentem aqui! vou adoras saber da experiência de vocês com esse livro! 
   Já viram os posts do projeto aqui no blog? 

O próximo livro a ser lido do projeto é "Suor", venha ler com a gente! 
Onde comprar: https://amzn.to/2GC6yT1

Foto da leitura dos participantes do projeto! Sigam eles no insta!